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40 Anos da “A Casa do Caminho”

40anosDatas importantes exigem uma celebração à altura. Foi com este espírito que os trabalhadores da “Comunidade Espírita A Casa do Caminho” prepararam um mês de atividades para comemorar os quarenta anos da entidade. Fundada em 10 de maio de 1974 pela Médium Isabel Salomão de Campos, “A Casa do Caminho” se tornou uma referência na divulgação da Doutrina Espírita e no trabalho de amparo ao próximo.

Assim, durante todo o mês de maio de 2014, oradores das mais diversas regiões se revezaram, nas sextas e sábados, em palestras que revelaram aspectos importantes da história da Comunidade. E dos benefícios que ela trouxe não só aos moradores de Juiz de Fora, mas a multidões de espíritos – encarnados ou não – que vinham de longe, em busca do auxílio da Doutrina Espírita.

A primeira semana ficou a cargo de Iriê Salomão de Campos. No dia 02 de maio, ele explicou por que a fundação de um centro espírita foi consequência de toda a história de trabalho de Dona Isabel. Filho da médium, Iriê foi testemunha de diversos momentos dessa história, que apesar de longa mantém intactos seus pilares essenciais. “Um dia minha mãe disse assim: para nós a Doutrina Espírita não é uma religião, é uma ideologia de vida. Quer dizer, você une filosofia, religião, modo de viver, assume e vive, vinte e quatro horas por dia, inabalavelmente” resumiu o orador, que prosseguiu narrando fatos importantes que enriqueceram as quatro décadas da Comunidade.

No dia seguinte, entretanto, Iriê inverteu o foco de seu estudo. Ao invés de contar o que “A Casa do Caminho” significou, o orador começou analisando os anseios que os frequentadores buscavam atender ao procurá-la. “Nós viemos para cá por uma mesma razão. Causas diferentes, mas a razão é a mesma. Nós viemos por necessidade espiritual. (…) A dor é apenas o motivo que nos traz. O que nos faz ficar é a necessidade espiritual”. Iriê continuou contando outros momentos da trajetória da Comunidade e da forma como ela atende a tais necessidades. “Aprendemos a crer em Jesus e aprendemos a viver como quem nele crê. (…) Estudar, conhecer a codificação para melhorarmos a nós mesmos. Quando nós nos melhoramos, melhoramos o mundo à nossa volta”.

O papel da Casa do Caminho na difusão dos ensinamentos de Jesus Cristo foi um dos assuntos da primeira palestra da professora Heloísa Pires, no dia 09 de maio. Nas palavras da oradora, revelar o Cristo às multidões é dar a elas a possibilidade de contato com a essência da divindade: “o Deus apresentado por Jesus, o Deus trabalhado nesta Casa, o Deus que tem curado almas feridas e despertado corações adormecidos é o Deus Pai, é o Deus Amor, é o Deus perdão incondicional”. Refletindo sobre a necessidade de nos esquecermos de nossos sonhos imaturos, Heloísa resume: “o convite da casa espírita, de Isabel (…), de todos aqueles que pretendem criar na Terra um mundo melhor, é apenas comparecimento perseverante, estudo constante dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, prática do amor com os parentes, com os difíceis, com os fáceis, fazer o bem a todos que cruzarem nosso caminho”.

No sábado, dia 10, a palestrante se voltou para a análise de outro importante papel da Doutrina Espírita: fazer com que nos tornemos conscientes da necessidade de corrigirmos nossos erros através do trabalho e do enfrentamento dos desafios próprios ao planeta Terra. Trazendo diversos exemplos, Heloísa Pires considera essencial a transformação do pensamento, fator que alavanca e acompanha a mudança de rumo em direção aos ensinamentos do Cristo. Entretanto, a transformação do pensamento, consequência do contato com a verdade possibilitado pela Doutrina, deve ser seguida pela exemplificação. “O convite é à libertação das paixões inferiores, à construção de um mundo melhor, já construindo um mundo de paz, de justiça, de alegria e de amor. O convite é à caminhada para a luz”.

A terceira semana ficou a cargo do professor César Reis que dedicou seu primeiro estudo – na sexta-feira, dia 16 de maio – à compreensão da felicidade sob a ótica espírita. Partindo da questão nº 920 do Livro dos Espíritos (“O homem pode gozar de completa felicidade na Terra?”), o palestrante percorre as reflexões sobre o assunto construída por diversas figuras importantes da história recente, como Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e Einstein. Por fim, desemboca na sabedoria de Chico Xavier, que resume: “O amor é ciência de sublimação para Deus. Por isso, a felicidade para crescer deve dividir-se”. Observando que a vida de todos nós enfrenta, naturalmente, agruras decorrentes das transgressões que cometemos à lei divina (nesta vida e em vidas passadas), César Reis termina citando Francisco de Assis, que apontou o caminho da felicidade na “substituição da agressão pelo amor”, caminho exemplificado pelo monge italiano em sua vida simples, em sua belíssima oração.

Neste mesmo clima, o professor iniciou a palestra do sábado, 17, explicando o trabalho da Médium Isabel Salomão de Campos na divulgação da Doutrina: “dizem os benfeitores que Dona Isabel reencarna aqui nesta região justamente para construir um conjunto de atividades que se assemelham em muito ao que acontece em ‘Nosso Lar’”. Descrevendo “A Casa do Caminho” como um posto avançado da cidade espiritual revelada por André Luiz, César Reis se propõe a analisar a intuição, esta força que leva espíritos luminares a inaugurar e fazer frutificar na Terra empreendimentos que, para o senso comum, muitas vezes estariam fadados ao fracasso. Por isso, ele define: “intuição é a voz de Deus que fala ao coração de todos os homens, mas só alguns são capazes de ouvir”. Tanto quanto no estudo anterior, o palestrante cita diversos exemplos de pessoas que escutaram esta voz, como Albert Schweitzer, Madre Tereza de Calcutá e Madame Curie.

Partindo do pressuposto de que a Doutrina Espírita deve lançar luz sobre todos os aspectos da vida humana, Eduardo Valério deu início à quarta semana trazendo para o primeiro plano, no dia 23 de maio, um tema específico: o que fazemos nos períodos de desdobramento que caracterizam o sono. “Todos sabemos a importância de aproveitarmos o tempo enquanto estivermos encarnados para fazermos da experiência no mundo material a alavanca para nosso crescimento. Fazemos isto da hora que levantamos à hora em que vamos dormir. Mas muitas vezes esquecemos de fazer o mesmo do horário em que dormimos ao horário em que despertamos”. Através de diversos exemplos, o palestrante reafirma a importância de aproveitar este tempo no nosso projeto reencarnatório, sublinhando “a indispensabilidade de nos prepararmos para dormir”, pois “não é possível desperdiçar todos os recursos e potenciais que o plano espiritual nos oferece durante o desdobramento da alma”.

Eduardo Valério passou, no dia 24, à discussão de outro assunto que tem despertado muita curiosidade no meio espírita: a transição planetária. Estudando o tema sob a perspectiva do pensamento de Alan Kardek, ele propõe uma indagação preliminar: “qual é a transição que nós esperamos? Uma transição catastrófica, com a destruição do planeta? Ou esperamos uma transição paulatina, tranquila, pacífica, de natureza moral?” Para tentar responder a estas indagações, o palestrante inicia, com base nos estudos do Codificador, uma descrição dos diferentes tipos de planetas, conforme seu estágio evolutivo. Também deixa claro que há sintonia coletiva, pois o estágio evolutivo dos espíritos que encarnam na Terra tem a ver com as condições morais que ela oferece: “espíritos que necessitam, ainda, de encarnações duríssimas – baseadas na exclusão, na violência, na destruição e nos crimes – encarnam no planeta Terra porque nós, encarnados (como sociedade), oferecemos instituições que propiciam aos companheiros que reencarnam, dores, violência, crimes e tragédias”.

Os estudos da última semana do evento ficaram a cargo de Ney Prieto Peres. Na sexta-feira, 30, ele analisou a importância da administração das emoções como ponto de partida para a evolução do espírito. Observando que a evolução espiritual segue o mesmo rumo da evolução planetária, Prieto Peres conclui que se a casa coletiva passa por uma grande transição, é essencial que nós também reeduquemos nossa casa íntima: “os dias de hoje, portanto, se revestem da maior importância, no despertamento da nossa sensibilidade espiritual. (…) Então, percebemos que aqueles hábitos, aquelas convivências já não nos preenchem o anelo espiritual que vibra intensamente dentro de nós”. A partir daí, o orador irá analisar a saúde espiritual e física com base em diversos estudos sobre as relações – iniciadas no momento em que o óvulo é fecundado – entre o corpo material e o perispírito. Na lista de estudos citados, têm destaque as obras de Hernani Guimarães Andrade.

Finalmente, no dia 31 de maio, Ney Prieto Peres deu continuidade às reflexões iniciadas no estudo anterior, desta vez focando num aspecto específico: as curas espirituais. Sublinhando que não se trata de um estudo que despreze os mecanismos da medicina – “a medicina é sim, muito bem sucedida, utilizado os recursos da química, atingindo naturalmente os mecanismos do metabolismo celular” – o orador chama a atenção para o fato de que as células também respondem às nossas emoções, saudáveis ou enfermiças, absorvendo vibrações que, a longo prazo, contribuem para a saúde ou a doença. Prieto Peres se concentra, a partir daí, na busca por entender os mecanismos da cura espiritual, que se concentra em reordenar as emoções do espírito a fim de que o corpo físico se restabeleça. Tomando como base obras como “A Gênese”, de Alan Kardek, o palestrante analisou o papel do passe e da água fluidificada, entre outros. Finalmente, ele resume o mecanismo pelo qual cada um pode colocar em prática a cura espiritual: “no orai e vigiai de Jesus nós estamos trabalhando neste processo de ecoequilíbrio, de autocura”.

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