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AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO

Quando pensamos nos ensinos de Jesus, somos conduzidos quase instintivamente a pensar no ato religioso dentro de seu formalismo intrínseco, com seus rituais quase totalmente desconectados da realidade diária. Ao pensarmos no Cristo vivo entre nós, em cada passagem de sua vida, o vemos caminhando entre os comuns, curando, ensinando e, principalmente, exemplificando como deve ser o comportamento social e íntimo de acordo com as leis de Deus. Jesus é o maior revolucionário de toda a história e, por seu comportamento exemplar, foi morto pelos religiosos de então. Mesmo assim, não se deixou abalar e rogou ao Pai o perdão para aqueles (nós) que não sabem o que fazem.

Passados 2013 anos, os erros se repetem continuadamente e deixam a nítida impressão de que a vida de cada um não passa de um rascunho mal escrito e pouco realizado. Utilizando de todos os subterfúgios, os escroques afrontam a população sustentados por feito legislativo por eles mesmos criados. Encantados com as facilidades ilusórias do mundo, temporariamente ricos e poderosos, inchados de tanto orgulho, vão se esquecendo de tudo e todos, principalmente do Cristo, que em suas vidas só está presente no crucifixo pendurado na parede da assembleia ou escondido sobre a camisa engomada. Não são capazes de lembrar as sábias palavras do mestre: fazer ao próximo aquilo que deseja que a você seja feito.

Jesus ensina por parábolas, e em todas há uma mensagem intrínseca. Somos todos iguais por sermos filhos do mesmo Pai; as diferenças que existem entre cada um de nós resultam das escolhas que fazemos para as nossas vidas, mas tudo gira em torno do respeito ao próximo. Por isso, Jesus nunca afrontou a ninguém e ao mesmo tempo jamais compactuou com qualquer atitude que não beneficiasse a todos. Uma perfeita revolução social, moral e política, que não foi abraçada com ímpeto, porque somos egoístas e logo tratamos de ofuscar seus ensinos, com religiões, ritos e mitos, distanciando o povo do Cristo em sua mais pura essência.

Hoje, patrioticamente, vemos a juventude ir às ruas, encabeçando a marcha da população em protesto por uma gigantesca série de reivindicações. Intelectuais deixaram seus gabinetes acadêmicos com suas teorias, quase sempre ultrapassadas, para explicar o inexplicável. Não precisamos mais de teóricos e seus calhamaços ideológicos que fundaram e justificam os também caducos partidos políticos e seus componentes. Basta ter olhos de ver e observar as casas populares, as Upas, os hospitais de pronto socorro e o empenho dos políticos e veremos o mais belo descaso com a população. É esse abandono que trouxe e trará o povo para as ruas e levará a protestos contra os administradores municipais pelo país afora.

O que queremos? Respeito! E, para atender à população, basta apenas ouvir o milenar ensino de Jesus: Não faça ao próximo aquilo que não deseja que seja feito a você (Mateus 7:12).

Por Iriê Salomão de Campos, Comunidade Espírita “A Casa do Caminho” – ‘Artigo do Dia’ Publicado no espaço quinzenal cedido pelo Jornal Tribuna de Minas – 29 de junho 2013 – Juiz de Fora – MG.