Renascer e reencarnar
Um dos grandes ensinamentos do Espiritismo é a reencarnação, que somada à Lei de Causa e Efeito, acalentam nossas emoções no tocante à jornada humana sobre o planeta Terra e responde às antigas questões: Quem sou, de onde vim e para onde vou? Saber que a morte do corpo físico não é o final ou culpa de outrem induz aos mais profundos pensamentos.
“Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”, ensina Allan Kardec. O progresso é lei e não se processa em uma só vida. Progredir é fato constante se nos mantivermos atentos para tal objetivo; e não é verdade que devamos aguardar a próxima existência para a correção das falhas cometidas. Assim como o sol afugenta a escuridão da noite ao nascer de cada dia, o conhecimento adquirido espanta o negrume da ignorância personificada nas velhas manias traduzidas por atitudes inconvenientes para o aprendiz do Evangelho. Emoções negativas ainda cultivadas nos fazem esquecer nossa origem divina. Então guerreamos contra todos motivados pelo egoísmo. Tomados pela vaidade, erguemos tronos afastando amigos leais. Ambiciosos, mergulhamos em abismos. Aqueles, por não serem atendidos, respondem com violência digna de um cão raivoso; outros fogem das obrigações familiares alardeando as mais torpes emoções. A ansiedade fere-nos no mais profundo do ser, e a violência nos afasta do trabalho de benfeitoria. O resultado não há de ser outro senão a revolta. Essa emoção que infelizmente ainda habita o coração de tantos resulta do pleno desconhecimento da Suprema Lei.
É necessário indagar-nos repetidamente se de fato estamos trafegando no caminho do autoburilamento, acompanhando o progresso espiritual que há tanto tempo é ensinado pelo Cristianismo sob a luz da doutrina Espírita. O corpo, morada temporária do espírito na encarnação presente, é a ferramenta de progresso e como tal precisa bem cuidar de suas palavras e ações, adequando-se ao tempo em que vive. Caso oposto, continuaremos gravitando em torno dos velhos defeitos comportamentais, perdendo o precioso tempo de progresso, tempo este jamais recuperado qual a fruta jogada ao sol: definhará. Poderemos possuir outra, mas o sabor daquela desperdiçada nunca provaremos. A vida é curta, a responsabilidade relegada hoje retornará amanhã clamando por solução e nós, mergulhados na dor do arrependimento, teremos que cumpri-la queiramos ou não, pois é da Lei que ninguém chegará ao Pai até que se cumpra o último centil.
Dia após dia, necessitamos dedicar alguma atenção ao aspecto espiritual da nossa existência, respeitando e aproveitando as oportunidades ofertadas pela Divina Providência, sem deixar para amanhã o trabalho bendito da caridade que nos pede ação hoje. Assim como o solo aguarda o arado; a árvore, a poda; o homem de bom ânimo é conduzido à luta de seus testemunhos constantes, nascendo a cada manhã em inédito espetáculo da vida, disposto a construir um novo mundo em seu íntimo, afastando as nuvens de tempestades, assim como o sol brilhante, que embora por minutos ofuscado pela nuvem, ainda é o astro maior que aquece o planeta.