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Um novo ano?
Feliz Natal!
 
Um novo ano?
Iriê Salomão de Campos

Um novo ano se aproxima, afirmam todos, e indica o calendário. Símbolo de renovadas esperanças dos tempos futuros, ligeiros, virando presente e num instante, passado; alimentando o sonho que no próximo ano tudo será melhor. Faremos dietas da moda, abandonaremos este ou aquele mau hábito, teremos um emprego mais rendoso e solucionaremos todos os problemas familiares. Tudo isso motivados pela mágica virada de um calendário? Não é possível renovação exterior. Rui Barbosa dizia que não se envergonhava ao mudar de idéia, pois não tinha vergonha de pensar.

Nas últimas décadas, mais que nunca, o planeta como um todo vem se modificando em ritmo acelerado, nem sempre para melhor. A raça humana continua a mesma. Brilhantes exceções salpicam aqui e ali, enquanto o todo é constrangedor. A presente crise econômica movimenta avassalador caos social, tendo no reverso da medalha o enriquecimento desmedido de pouquíssimos. O respeito que as autoridades têm às leis é o exemplo que não devemos seguir. Por que os parâmetros são de tal forma agredidos, os princípios religiosos foram soterrados pela ambição financeira, e a humanidade se esqueceu da sua filiação divina? Abraçamos o ateísmo social, deixando a emoção religiosa restrita ao momento do culto. Por todo o canto, vemos o nome do Cristo estampado em faixas, adesivos e placas seguido de um slogan empresarial “Deus é fiel”; sim claro, nós é que não o somos. Sem titubear, afrontamos as Divinas Leis pelo lucro financeiro ou poder. Se violamos os Mandamentos sem temor, o que faremos com as leis civis? Resgatar a religião pura e natural é o caminho para reacender as esperanças, pautando nossas vidas no caminho do bem comum. Crer no Pai e viver como quem nEle crê é um impulso instintivo, e não por ordem das sacristias. Clamamos no nosso íntimo por Deus a todo instante. Graças a Ele damos, quando nos sentimos felizes; rogamos por auxílio no instante de aflição; lançamos de joelhos o espírito por gratidão divina ao rever a pessoa amada retornando ao lar. Logo Deus não está nesta ou naquela religião. Todos indistintamente somos seus filhos, portanto irmãos entrelaçados pela hereditariedade superior. Se nos é difícil entender algo tão simples, como simples são os ensinamentos de Jesus, é porque ainda estamos sedimentados em conceitos medievais. Folclores impregnados ao longo dos séculos, formando uma amálgama de dor, legitimando a vida como experiência de sofrimento. Adão e Eva, o mito do Pecado Original, a expulsão do Paraíso, a condenação ao sofrimento pelo trabalho e a dor para a concepção, mesmo que apontados como alegorias mitológicas, regem muitas religiões e seus crentes, e estes vivem sob o temor do Juízo Final e a construção de um mundo de eleitos.

Aprendemos no Evangelho Segundo o Espiritismo que não há privilégios nas leis de Deus, assim como o progresso é individual, e ninguém sofrerá por erros alheios. Paulo de Tarso, ao ser despertado de sua religiosidade materialista, demonstrada em suas atitudes de rabino, que objetivavam o cumprimento da lei civil e as aparências, teve que recolher a si mesmo para descobrir o impulso divino do homem, na busca de Deus. Na medida que lutava contra suas antigas emoções, entendia Deus, Omo o é, puro, e sua crescente aproximação com o Cristo se tornava maior; , as revelações sutis das entidades espirituais que o acompanhavam no momento de esforço íntimo estão contidas nas chamadas Epístolas de Paulo de Tarso, como o registro de nascimento do Homem Novo, em novo tempo do calendário.

A manjedoura é o coração. A terra santa, o Evangelho em toda sua pureza. E o novo ano, cada momento em que nos dispomos a melhorar para o exercício da vontade do Pai.

Feliz ano novo!
 
 
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