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Tua parte de boa vontade
Um novo ano?
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Tua parte de boa vontade
Iriê Salomão de Campos

Quando parados em uma esquina, observando o vai-e-vem das pessoas, temos a nítida impressão de uma relativa ordem mergulhada no caos das grandes cidades. O mar de gente andando sabemos lá para onde, buscando sabemos lá o quê. Serenando as emoções, sem, contudo, perder o povo de vista, descobriremos o óbvio. Cada qual é um espírito encarnado, vivendo no plano físico o planejamento elaborado nos mundos invisíveis, somados às emoções e gostos adquiridos ao longo da vida terrena. Certamente aí encontramos o motivo de tanta algazarra no mundo. Ao tomarmos consciência de nossa vida, animados que ficamos pelas belezas fúteis da matéria, rompemos nossos compromissos com as responsabilidades espirituais, passando a viver no regalo imediatista. Não raro dizemos ou escutamos alguém dizer: A vida é minha e faço o que quiser... Ninguém tem nada com isso... Corrido o tempo, nos vemos diante da cena seguinte; o sabichão de antes encontra-se prostrado; olhar perdido, lacrimejante, voz embargada pela dor, questionando-se: Por que eu não sou feliz; minha vida é sempre errada; que mal eu fiz a Deus para merecer tanta angústia?

Nos caminhos da história bíblica, encontramos uma situação semelhante de extrema gravidade. Conta-se que o rei israelita Saul, tomado por grandes aflições pelo clima de beligerância, buscava consolo na lembrança do antecessor Samuel. Tanta inquietação o levou à presença da pitonisa local. A médium, em plena concentração, possibilitou a materialização do espírito de Samuel, um dos últimos reis juízes. Saul se emocionou ao ver seu mentor. Saudando-lhe, perguntou: Senhor, onde está sua túnica de linho e espada de julgador? De pronto, o espírito respondeu: Ficaram no sepulcro. Saul retomou a palavra declarando suas aflições perante a guerra. Questionado pelo mentor sobre o que de fato desejava, Saul disse que era a pura verdade. Samuel transmitiu a Saul a seguinte orientação: Volta, Saul, aos israelitas, desarma o nosso exército e dize à nação que o nosso orgulho racial é um erro nefasto e profundo. Notifica as doze Tribos de que nossas guerras e atritos com os vizinhos são malditas ilusões que nos agravam as responsabilidades diante de Deus. Onde teremos buscado tanta audácia para nos julgarmos privilegiados do Eterno? Hoje, Saul, no plano espiritual,sou obrigado a socorrer os nossos armadores, flecheiros, guerrilheiros e pajens das armas, os quais ajudei na matança e que choram e sofrem junto de mim. Volta, Saul, enquanto é tempo, explica a Israel que o povo Filisteu é filho de Deus; que ao invés de odiarmos, auxiliemo-nos reciprocamente. Vai, ensina aos israelitas uma vida nova. Faze que os instrumentos destruidores se voltem para o trabalho abençoado no solo da terra. Atende a Deus e domina-te. Executa a vontade do Senhor e esquece-te, para que possas triunfar na Divina Misericórdia. Desistiras da carnificina? Respondeu Saul: Impossível, não posso. Samuel retomou da palavra: Como pedes, então, conselhos à luz da sabedoria, se prefere a prisão nas trevas da ignorância? Se não deres ouvidos à Divina Palavra executando os sinistros propósitos de sua ira, Israel sofrerá contigo as conseqüências da tua rebeldia.

Ainda hoje, vemos as mesmas contendas milenares entre os povos e nos corações, semeando o flagelo humano. Sofremos por natural resultado de nossas escolhas pessoais e não por castigo. Por isso, se faz necessário estudar o Evangelho do Cristo à luz da Doutrina Espírita, de modo a dilatar nossos sentidos, como Samuel, para aprender a ver, sentir e ouvir os emissários do Cristo, que estão a todo tempo nos orientando para o caminho do Bem.
 
 
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