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Maio
Iriê Salomão de Campos
São passados 35 anos da primeira reunião à Rua Almirante Barroso, 139, em Juiz de Fora; tempos quando os bairros pareciam muito distantes do Parque Halfeld. O terreno doado pelo amigo Antônio Jucá e Mello ganhou alicerce, colunas, paredes, cobertura e laje, nivelando-o ao meio-fio. No espaço de poucos meses, estava erguido amplo salão em estilo moderno, linhas retas, janelas altas à frente. Apresentava-se à comunidade juizforana o Centro Espírita A Casa do Caminho. Os amigos brincavam com Ramiro Monteiro de Campos e sua esposa Isabel Salomão de Campos, dizendo que lá era tão longe que ninguém iria para rezar, e só encontrariam onça naquele lugar. De fato, não foram poucos os desafios dos idealizadores. Água não tinha com fartura; da residência próxima estendia-se uma tubulação possibilitando a execução da obra. Ônibus, de tempos em tempos, não havia por que ser diferente. Calçamento também não, era terra empoeirando tudo.
A primeira reunião no dia 10 de maio de 1974 foi a céu aberto, não tinha telhado o salão. Sobre caixas de material de construção, Ramiro e Isabel emocionados pela vitória, inauguraram em prece a Casa de Trabalho do Evangelho Segundo o Espiritismo. As onças nunca apareceram, e o vazio ficou apenas na imaginação dos amigos. Mais alguns dias e lances mirabolantes aconteceram, desses que só ocorrem sob o patrocínio da proteção Divina. O salão ganhou o telhado e forro. Tudo estava rigorosamente pronto para atender aos estudantes do Espiritismo e aos necessitados, pois em sua honra fora erguida. Cadeiras confortáveis, salão arejado, tudo absolutamente impecável.
Na descrição recomendada pela espiritualidade maior, a rotina de atendimento ao público foi se tornando conhecida por toda a cidade e região. Dona Isabel Salomão de Campos, fundadora e presidente dos trabalhos, jamais admitiu que as portas daquela Casa se fechassem até que o último necessitado fosse devidamente socorrido. Sem se afastar das orientações do Cristo em suma pureza, a cada momento surgia um novo trabalho por intuição ou como resultado do exercício do amor ao próximo. Assim foi, a partir de um atendimento a uma senhora que bateu à sua porta em busca de socorro e calma, visto que acabara de ser assaltada por um menino. Preocupou-se o casal - Dr. Ramiro e D. Isabel - com as crianças abandonadas pelas ruas de Juiz de Fora. O Lar do Caminho acolhe de maneira cristã meninos vítimas de famílias incompletas e em risco social. Junto a eles D. Isabel reside, trabalha, vive e os educa. A perda de um amigo da equipe de trabalhadores da Casa, vitimado por um enfarte, provocou a criação do Pronto Socorro Espiritual. Inicialmente não mais do que dez pessoas se revezavam no atendimento telefônico; hoje soma-se uma centena de trabalhadores, alternando-se 24 horas, todos os dias do ano sem exceção, atendendo a milhares de telefonemas do Brasil e do mundo, todos ávidos de conforto.
Comemoramos 35 anos, não por sua mera contagem de horas, dias, meses que resultam em anos, mas por testemunharmos que entre as paredes desta Casa se compõe a grande família Cristã irmanada no Evangelho do Cristo redivivo por Allan Kardec. Parabéns aos membros d’A Casa do Caminho, ao Dr. Ramiro, que do lado de lá testemunha nosso contentamento, e à D. Isabel por sua fibra e fidelidade a quem com ela aprendemos a chamar de Jesus Amigo.
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