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A Morte de Deus.

Iriê Salomão de Campos
Comunidade Espírita "A Casa do Caminho"

 

 

 

                   O  Historiador Arnold Toymbee afirma que “... As civilizações se desenvolvem nas linhas conceptuais de uma religião fundamental e entram em agonia quando se esvai o poder vital dessa religião”. Correndo os olhos sobre o passado das veremos que vitória de um povo sobre outro, se configurava quando caia a estátua ou símbolo da divindade dominante, arrastando àquela sociedade ao caos e não raro ao desaparecimento. Assim o deus dos hebreus sucumbiu frente à tríade Osíris, Hórus e Ísis estabelecendo o domínio egípcio onde temos o faraó como deus vivo. Este que foi derrotada por Apolo deus romano,  a seu turno derrubado por Gutton, divindade dos Bárbaros que invasores de Roma em 476 d C. Antes do advento de Jesus, as religiões primitivas revestindo o caráter dos povos que as criavam, tinham seus deuses guerreiros que combatiam frente a seus exércitos exigindo o sangue do sacrifício em prol da vitória.

 

Penetrando nas fissuras da decadência do Império Romano o Cristianismo foi perdendo suas purezas originais, afastando-se das palavras e ensinamentos do Cristo de Deus e transformadas que foi em religião oficial de Estado. Para evitar futuros atritos e aplacando os ânimos naturalmente exaltados em tempos de crises, entenderam ser prudente absorver tradições pagãs a seus ritos e assim atraindo um número crescente de adeptos. O efeito colateral é a impregnação dos ensinamentos de Jesus. Novamente deus é matéria. Os ensinamentos de Jesus o Cristo de Deus que tudo explicam, foram substituídos por míticas teologias intrincadas, que pouco contribuem para a elevação moral da humanidade, este que é o papel maior de toda religião. Martin Lutero em sua inspirada Reforma Protestante buscou em toda sua força moral resgatar os princípios fundamentais do Cristianismo, a reposta do poder constituído veio em formato de Inquisição. O que aparentemente é passado histórico, logo de importância somente para os aficionados, na verdade inculcam nos menos avisados, expressões de materialização divina; como é comum ouvir por aí “... o sangue de Cristo tem poder”. Lá estamos nós voltando aos tempos de sacrifícios e crendices incompatíveis com o progresso cultural dos dias presentes. Ah! Isto é  só a maneira de se expressar diante da dificuldade. É sempre bom lembrar que quase nada é dito no simples dizer. O que sai pela boca provém do coração. Coração, cerne de nossas emoções, espírito da questão para alguns, centro das intenções para outros. Dos pensamentos, às palavras por via de regra à ação. Provocando em geral a deformação da criatura humana pelas exigências da respectiva crença religiosa, como vimos atrelada à materialidade. Esta que confunde Jesus com Deus, levando ao surgimento do niilismo, ou seja, a ausência de Deus a descrença e ao materialismo. Neste sentido, Karl Marx não estava enganado ao afirmar que a religião é o ópio do povo. E deus realmente está morto. Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará ensina Jesus que nos trouxe as Leis Morais fontes de informações e ensinamentos, sem as quais não entenderemos os tempos vividos, ontem, hoje e amanhã.                


 
 
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