O que pedes?
O que pedes? Essa pergunta feita por Lucas em seu Evangelho vem a calhar no exato momento em que vivemos. Tempos de grandes angústias e incertezas, assombrando o lugar da Fé. No dizer de Jesus “homens de pouca fé”, e Kardec classifica como a fé vacilante.
Todos admiramos o Cristo, e a humanidade de certa forma reconhece Sua divindade, mas vacila entre crer e ter. Por isso Lucas pergunta: “O que pedes, amigo?” Os egoístas exigem todas as satisfações para si; os ambiciosos querem reservas de milhões; os vaidosos reclamam atenção; os despeitados gastam energia maldizendo; os preguiçosos querem prosperidade sem esforço; os revoltados reclamam direitos sem deveres. Aquele devoto clama a privilegiada proteção divina que lhe permita o contentamento da riqueza do mundo; o outro reza para obter mais lucros em seus negócios alimentando sua avareza.
Assim está a humanidade, que reza implorando milagres das sublimes mãos de Jesus, porém se recusa à disciplina das diretrizes edificantes. Todos sonhamos em ouvir o Divino Carpinteiro, mas quanto de fato educamos nossa audição para o merecimento? Pleiteamos com dose de arrogância o desejo de ver paisagens de infinita beleza, mesmo recusando enxergar ao nosso lado o irmão sofredor. Cremos e descremos, ajudamos e desajudamos, organizamos e perturbamos. Falamos de fé e nos ensombramos com a desconfiança e a revolta. Gritamos por fraternidade e ecumenismo, e muitos utilizam a religião para matar, enriquecer-se e mentir. Clamam pela Divina luz, entretanto recusam-se a abandonar as sombras das futilidades sociais. Suspiram por melhorias mundo afora, mesmo que repudiem a própria renovação.
Necessário é repensar a existência e como se vive. O Código Divino estabelecido no Evangelho do Cristo ressurge na Doutrina Espírita, alimentando nossos atos de modo a responder à pergunta “O que pedimos?” Pedimos condições de trabalhar, perdoar e servir em nome do Cristo.