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A morte do fantasma
Iriê Salomão de Campos
Nos mais remotos tempos da civilização terrena, a figura assustadora da morte acompanha o ser humano. Templos, túmulos catedrais, incontáveis obras de todas as artes lhe rendem homenagem por temor, como a criança que abaixa a cabeça frente à mão em riste do malfeitor, teimando, por motivos vários, em entender que a dita é de fato o final de uma etapa de tantas que se sucedem na romagem terrena. Assim criamos os fantasmas e almas penadas. Mitos de encruzilhadas, casas assombradas, dias maléficos, tantas tolices que apenas demonstram a nossa infantilidade espiritual. Se não compreendemos a simplicidade da morte, quão petulante somos ao lançarmos questões sobre a existência de Deus ou nos arvorarmos em discutir Jesus. Santa ignorância, diria Jan Huss. Fato é que o culto ao medo da morte e a tudo que lhe cerca não passa de uma atividade comercial, da venda de luxuosas urnas funerárias às cerimônias que a rodeiam.
Na Grécia de Pitágoras, já se explicava a sobrevivência do espírito após a morte do corpo. O processo de vidas sucessivas, a reencarnação, é de largo conhecimento das civilizações em tempos distintos. A sobrevida do medo e o desconhecimento se dão com os vendilhões dos templos, como há 2000 anos afirmou Jesus. Os comerciantes da fé, sanguessugas dos ingênuos, farsantes, mistificadores, esmeram-se em perpetuar o medo.
Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, enterra vez por todas os fantasmas, os mal-assombros, as penas eternas, o pecado original e demais crendices medievais, ao explicar a finalidade da encarnação, que a alma nada é mais que o espírito encarnado. Finda a vida física, despojado do corpo denso, retornará à Casa do Pai revendo os compromissos assumidos, cumpridos ou não, revisando o passado recente no recapitular da vida deixada na Terra, o que construiu em favor do próximo, a quantos levou alegria e serenidade. Então amparado pela justiça de Deus se fará a retomada da jornada de novas oportunidades.
“Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre. Tal é a lei”. (Allan Kardec)
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